No Diário dele

 

Tenho mais quantos aniversários do PT pela frente? Só Deus que sabe. Mudou muito. Tem pouco povo, nós não eramos isso. Claro que sempre teve os Dirceus da vida, aqueles comunistinhas universitários, que nunca pisaram numa fábrica mas sabiam da classe trabalhadora mais que a gente... Coitado do Zé, colocaram ele lá no fundo. Eu devi me impor, mas a maioria disse que se colocassem ele na frente, a mídia falaria dele e não do que eu tivesse falado. Pra mim tanto faz, se para quem estou falando parece que não escutam. Será que fui eu que não mudei? Será que o povo mudou e agora sou eu que não estou conseguindo falar com eles? Isso não é possível, o povo mudou sim, mas fome é fome, eu sei o que é, o que passa uma mãe, o que passam os filhos, e assim tiver alguém passando fome nesse país eu sei pelo que essa pessoa está passando. Mas o que não sei é o que está passando nas comunidades mesmo. Com a presidência eu perdi esse termômetro. Eu não posso mais parar num buteco e bater um papo com o povo, para sentir como que a coisa está. Agora o que trazem é informação para mim. Mas se eles também nem vão em comunidade, que informação que estou tendo é essa?

Tou sem saco. Na verdade estou sem tempo. E é muita dor. É fazer tudo de novo! Esses caras nunca se importaram com a vida da gente, e também nunca se importaram com a minha. E ainda assim eu tenho que conversar com eles. E no ato vieram me cobrar, e não consegui me segurar e falei: vocês cantavam não vai ter golpe. É fácil gritar: à guerra com eles, tem que vencer!, e depois você não tem ninguém para te acompanhar. Eu agradeço Celso a ideia dos cinco minutos. Tou com pouco tempo, você tem cinco minutos para me dizer o que você fez, mais é enrolação, e só eu para isso, porque é da minha enrolação que o povo gosta. Até piada besta eu faço para mim. Saudade de piada besta com meus irmãos chupando açúcar.

O que não tem como negar é que os caras são bons para fazer o mal. O que fizeram com o Banco Central foi a maior conquista deles. E agora que as fintechs estão atacando os bancos e os bancos vem até nós pedindo defender eles. Estão me dizendo que se eu chamar recuperar o Banco Central, não vai ser aprovada mais lei nenhuma no Congresso. Eles não precisam de nós para as emendas, só eles aprovam. Vou conseguir como dirigir a economia se não consigo botar o preço da moeda? Ninguém melhor do que eu governou esse país, com essa estrutura feita contra nós. Falo para eles: vocês têm que se colocar na cabeça deles! Mas para isso você precisa ir lá onde a pessoa vive. E não vão, têm medo, e vou falar o quê para uma pessoa que tem medo de morrer? Vai, vai conhecer? Sozinha não vai ir, alguém vai ter que levar, e quem no bairro para isso?

Outro dia vi o Bigode em Florianópolis, aquele velho continua fazendo trabalho de base, nunca pediu nada para mim, sempre me disse que não devia sair da base e me falou do difícil que está trazer pessoas para o partido. O mensalão feriu a gente. Eu não criei a máquina. A máquina tava aí. Eu fui o único que com essa máquina tirou 40 milhões da pobreza e colocou o Brasil no mundo! Sinto falta de ouvir MAG, com o mundo como está.

Tá tarde, vou dormir, que amanhã viajo para a China, e aquela viagem me deixa muito cansado.


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